Exposição exagerada.


Exposição exagerada. Precisamos mesmo disso?

De uns tempos pra cá as pessoas tem utilizado as redes sociais para exporem as suas vidas e esses dias eu fiquei pensando em algumas coisas que aconteciam antes da internet fazer parte do nosso cotidiano.

Eu sempre vejo postagens onde tem festas, sorrisos, bebidas, roupas novas e outras celebrações, assim como vejo reclamações, gente depressiva e um rancor exposto em forma de indiretas.

Outro dia eu li que esta época é a mais depressiva, ou seja, as pessoas estão com a autoestima baixa e o simples fato de postar sobre isso na internet já faz com que se sintam melhor, principalmente porque monitoram o número de curtidas e comentários do tipo “te entendo”.

Voltemos então no tempo em que não tínhamos internet. As pessoas não se preocupavam com a exposição, muito pelo contrário, a discrição fazia parte da vida. As fotos eram limitadas somente a datas importantes e com significado mais sentimental, mesmo porquê, ter máquina fotográfica era coisa de gente com situação financeira boa e nem todos tinham acesso.

Existiam os amigos que se reuniam e se sentavam na calçada na frente da casa e ficavam horas conversando sobre tudo e, quando alguém estava triste ou feliz, compartilhava o sentimento com os amigos.

E ainda existia o melhor amigo, aquela pessoa que você podia contar tudo e sabia que o seu segredo ficaria guardado. E mais ainda, existiam os diários, onde eram registrados todos os sentimentos e também o dia a dia, como um desabafo em forma de escrita e que era muito bem guardado, pois estas informações eram confidenciais.

Hoje em dia as pessoas não se sentam mais nas calçadas, não tem mais com quem conversar e não tem diários, o que faz com que os sentimentos se acumulem e o número de psicólogos aumentem, porque a demanda é assustadora.

Você pode até dizer que se reúne com os amigos, que a sua vida é ótima e que as fotos postadas na internet são a prova disso. Então eu te pergunto: Quando foi que você teve uma conversa sincera, olhando nos olhos? Quem é o seu melhor amigo? Ele ou ela sabe mesmo TUDO sobre você?

Se você perde o sono ou chora de madrugada, a resposta está bem clara.

Que tal nos preocuparmos menos em expor falsas alegrias ou tristezas em busca de curtidas e nos focar mais em interagir fora das redes?

E não adianta se reunir com os amigos e só ficar tirando fotos. Deixe o celular por alguns instantes e tenha uma boa conversa. Se for chorar, que seja no ombro do seu melhor amigo e não no travesseiro. Estes pequenos detalhes são tão importantes e nos fazem tão bem! Não podemos perder isso. Vamos apreciar o por do sol e não se preocupar em tirar foto dele.

Olhando para o futuro, eu vejo pessoas vazias e sem histórias para contar, o que é muito triste.

As pessoas vão olhar aquelas milhares de fotos em festas, mas não se lembrarão que momento foi aquele, a não ser pela descrição da postagem.

Eu me lembro de momentos especiais que aconteceram na minha vida e que não tem nenhuma foto pra mostrar, porque o momento era tão bom que todos queriam aproveitar e não se preocupavam em registrar. Outro detalhe é que, olhando as fotos antigas, eu me lembro de cada momento e o motivo de ter aquela foto, porque foi tirada em uma data especial. Hoje em dia eu ainda faço isso, só tiro fotos quando o momento é especial e não posto nas redes, mesmo porquê, o momento é meu e não preciso de exposição, nem de curtidas e nem de falsa piedade.

Vamos ter mais contato humano e menos virtual.

Chaplin já dizia: “Não sois máquinas, homem é que sois.”

Viviane. Escrito em 06/01/2019